Sobre decepções, amizades e saudades…

(*post original publicado no Facebook em 11 de julho de 2016)

Quem vê minha página cheia de likes pensa que conheço metade de Vancouver. Realmente conheci e continuo conhecendo muita gente através do blog mas isso não me faz uma pessoa cheia de amigos. E é sobre isso que quero falar hoje.

É unânime entre os expatriados que a saudade dos amigos e da família é o primeiro item da lista das piores coisas de se morar fora. Porém, muita gente acha que fazer novas amizades acaba suprindo a falta dos que deixamos para trás. Sinto dizer que não é bem assim.

Fazer amizade leva tempo. Não adianta forçar a barra. Às vezes somos todos “super legais” mas a amizade não rola. Falta de tempo, falta de compatibilidade, falta de interesse.
Às vezes você encontra uma pessoa que parece que é seu amigo de infância mas você acaba descobrindo que a aproximação era enquanto o interesse existia. Isso acontece demais com gente como eu, que põe a cara “a tapa” e se expõe pra ajudar.

Ter amigos fora do Brasil é muito mais difícil porque a gente acaba colocando a necessidade de querer gente por perto, especialmente brasileiros, e isso atrapalha demais. A falsa impressão de que todo mundo vai estar ali pra você, que aquela mão amiga vai surgir em qualquer situação e assim por diante.

Ah! Não estou falando que é difícil fazer amizade com gringos mas levando em consideração que aos quase 40, começar amizades do zero requer um pouco de paciência e tempo…. Laços não se constroem de uma hora pra outra. Nem de um ano pro outro.

E é por isso que volto a falar dos brasileiros. A cultura nos une. Temos traços, referências, gostos parecidos. Se formos da mesma cidade e torcermos pra times iguais então, nossa, meio caminho andado. E a rivalidade da pizza com catchup ou a bolacha x biscoito dos cariocas e paulistas? É uma delícia ter isso aqui.
Mas repito: não se iludam…

E as crianças? Pra quem pensa que quanto mais o tempo passa mais eles se adaptam e “esquecem” os amigos do Brasil mais um choque de realidade: é exatamente o contrário. Meus filhos chegaram aqui com 8 e 3 anos respectivamente e a saudade e necessidade deles de manter contato via Skype ou Facetime só aumenta. Mesmo tendo feito novos amigos por aqui.

Mas pra que esse texto todo então?
Simplesmente pra dizer que a cada dia que passa a saudade dos que estão no Brasil só aumenta e que a distância não diminui isso, não! Manter as amizades reais, mesmo a 12 mil quilômetros de distância, é cada vez mais fundamental pra se viver fora.

Conheçam gente, façam amigos, cuidem deles, respeitem, estejam lá! Isso faz uma diferença que a gente só vê com o passar do tempo.

Um abraço!

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